domingo, 18 de janeiro de 2009

Combinação

Combina ou não combina?

Qualidade combina com quantidade?
Rapidez combina com paciência?
Fragmentação combina com compreensão?
Automatização combina com comprometimento?
Rotina combina com prazer?

Todas combinam!
Como a água combina com o fogo
Como o gato com o rato
Como a agulha com a bexiga
Combinam a destruição

Que tal combinar para cooperação?
Como o princípio com a identidade
Como o objetivo com a metodologia
Como o tempo necessário com o tempo disponível
Como a ação com a Filosofia

Como o café combina com o leite
Como o arroz combina com o feijão
Elementos que mesmo diferentes se complementam
Respeitando as individualidades

Como o respeito e a ética devem permear todas as ações
Como da criatividade pode vir à solução
Como o pensar deve combinar com o fazer
Como o sonho deve combinar com a realidade

Marcos Noggerini/2003

Trabalho m Grupo

Muito se cobra que o trabalho tenha que ser realizado coletivamente, mas pouco se pratica e se analisa como, além de ser feito coletivamente, que obtenha melhores resultados. Esbarra-se tanto em conflitos pessoais, como principalmente na falta de prática. Nada melhor do que a vivência para que aos poucos percebamos as dificuldades que os participantes de um grupo enfrentam. As decisões coletivas podem ser mais demoradas, mas com certeza o comprometimento aumenta e aos poucos o grupo vai se conhecendo e até ganha não só em agilidade, mas principalmente em criatividade e autenticidade.
O trabalho em grupo sofre muito preconceito, pois muitas pessoas não conhecem, não sabem como fazê-lo, estigmatizando suas características, menosprezando seu potencial e depreciando sua utilidade. Historicamente a organização de pessoas não foi nada bem vista, mas bem vista por quem? Pelo menos pelos grupos dominantes que, conservadoramente, preferem que as coisas permaneçam como estão. O trabalho em grupo representava e ainda representa em muitos locais um grande risco, pois ao discutir coletivamente, várias perspectivas são consideradas, o que denuncia possibilidades de erros, inclusive dos que comandam. Daí o grande conflito, ao debater e discutir, abre-se espaço para uma análise que privilegia a crítica e onde as mazelas podem surgir como pistas dos possíveis entraves ao andamento das atividades. O medo de se expor perante o grupo, a demora nas decisões, o individualismo, o egoísmo, o desrespeito às individualidades, a falta de prática, a sobrecarga de trabalho sobre alguns, a passividade de outros, o medo ou receio de delegar de outros, a desconfiança e muitas outras desculpas servem para explicar, mas nunca para justificar a não adoção do trabalho em grupo como metodologia.
É muito fácil nesse tipo de trabalho encontrar erros nos outros, desrespeitando as características pessoais e a individualidade das pessoas. Deve-se reconhecer que as pessoas são diferentes e em qualquer relação precisam ser respeitadas na busca de suas virtudes. Só assim, trabalhando com transparência, respeito e ética pode-se fazer da relação de grupo a solução para o comprometimento tão necessário a realização de tarefas cada vez mais íntegras e que satisfaçam a todos. Dessa forma a avaliação é distribuída na coletividade e o trabalho passa a não ser mais meu ou seu, mas nosso.
O trabalho em grupo ao mesmo tempo em que pode causar grandes conflitos, principalmente no início, aos poucos deve trazer muita satisfação. A confiança, a construção da identidade e a consciência das possibilidades que ele pode nos trazer, fazem do trabalho em grupo a metodologia ideal para que as pessoas sejam respeitadas em suas individualidades e o grupo cresça com objetivos claros autênticos e íntegros. O conhecimento da identidade do grupo trás com ele a autonomia tão necessária para que a agilidade possa prevalecer, porém nunca deixando de lado a qualidade tão almejada por todos. A consciência coletiva passa a imperar e problemas individuais são superados com maior tranqüilidade já que a cumplicidade passa a existir. Assim as metas tornam-se mais próximas e as palavras saem de um sonho idealizado ou utópico, para as diversas ações que o grupo passa a realizar. Cooperar é preciso, provocar a cooperação também!

Você consegue colocar a não direita no cotovelo direito?

A nossa primeira reação para resolver problemas como este é tentar fazer sozinhos, mas vocês verão que isso é impossível. Mais uma vez o ser humano demonstra seu individualismo, sempre querendo uma solução simples e superficial, pulando a etapa mais importante de uma ação, a reflexão sobre a ação. Mais ainda torna-se evidente que só buscamos o outro para ajudar quando não conseguimos realizar sozinhos. Muitos dizem que isso é uma demonstração de autonomia, de mostra de potencial e até de poder, porém essa forma de agir também pode demonstrar a dificuldade mais básica de todos os problemas enfrentados pelo ser humano, o relacionamento interpessoal. Muitos vêem os outros, mais como problemas do que como soluções, não reconhecendo que, com mais pessoas envolvidas no processo, maiores possibilidades de melhoramentos podem ocorrer. Temos dificuldade nesse processo sim, mas por uma cultura que monopolizou ações individuais em detrimento das coletivas, com isso a cultura cooperativa não teve tanto estímulo e ainda sofre com preconceitos e estigmas, ocasionados principalmente pela falta de experiência. Cooperação é um conceito que supera a simplicidade da ajuda ou da colaboração, na verdade deve trazer embutida nela a consciência do que se está fazendo juntamente com a motivação para fazer, isso somado temos uma das maiores buscas em diferentes áreas, o comprometimento.
Na natureza vemos diversos exemplos de cooperação nas mais variadas espécies de seres vivos: plantas, insetos e animais cooperam para satisfação das necessidades. Nesse caso por se tratar de seres irracionais, utilizam o instinto para substituir a consciência. Já no ser humano o tema se torna mais complexo, pois envolve diferentes culturas, diferentes individualidades, identidades e a autonomia, fatores que diferenciam o homem, proporcionando a ele a capacidade de reflexão e julgamento. Isso fará com que nem todos queiram cooperar, pois possuem a liberdade em optar. Porém e quem não tem liberdade de escolha e faz por imposição, pura necessidade básica, sem motivação? Podemos dizer que está cooperando, pode se tornar uma pessoa comprometida? Em alguns casos até que sim.
Em muitas ações no cotidiano do ser humano podemos perceber exemplos de cooperação: na família, na comunidade, no trabalho, em associações. Nessas instâncias existem inúmeros exemplos de cooperação. O que move essas pessoas para cooperar? Quais aspectos podemos perceber, que tornam as pessoas mais cooperativas? Vejamos o exemplo do mutirão, o que faz com que as pessoas colaborem? Um objetivo em comum, a solidariedade, a curiosidade, o desafio? Por outro lado o que faz com que as pessoas não cooperem? O individualismo, o egoísmo, a falta de tempo, o desinteresse?
Essas reflexões podem permitir as pessoas, as mais diferentes respostas, que podem levar as mais diferentes conclusões. A complexidade do ser humano é evidente, assim como a instabilidade e a variação em diferentes contextos e situações. Cabe a nós envolvidos nas ações, analisar, refletir e buscar alternativas para sensibilizar, mobilizar, envolver e cooperar para que as pessoas cooperem em ações necessárias ao coletivo.