domingo, 18 de janeiro de 2009

Trabalho m Grupo

Muito se cobra que o trabalho tenha que ser realizado coletivamente, mas pouco se pratica e se analisa como, além de ser feito coletivamente, que obtenha melhores resultados. Esbarra-se tanto em conflitos pessoais, como principalmente na falta de prática. Nada melhor do que a vivência para que aos poucos percebamos as dificuldades que os participantes de um grupo enfrentam. As decisões coletivas podem ser mais demoradas, mas com certeza o comprometimento aumenta e aos poucos o grupo vai se conhecendo e até ganha não só em agilidade, mas principalmente em criatividade e autenticidade.
O trabalho em grupo sofre muito preconceito, pois muitas pessoas não conhecem, não sabem como fazê-lo, estigmatizando suas características, menosprezando seu potencial e depreciando sua utilidade. Historicamente a organização de pessoas não foi nada bem vista, mas bem vista por quem? Pelo menos pelos grupos dominantes que, conservadoramente, preferem que as coisas permaneçam como estão. O trabalho em grupo representava e ainda representa em muitos locais um grande risco, pois ao discutir coletivamente, várias perspectivas são consideradas, o que denuncia possibilidades de erros, inclusive dos que comandam. Daí o grande conflito, ao debater e discutir, abre-se espaço para uma análise que privilegia a crítica e onde as mazelas podem surgir como pistas dos possíveis entraves ao andamento das atividades. O medo de se expor perante o grupo, a demora nas decisões, o individualismo, o egoísmo, o desrespeito às individualidades, a falta de prática, a sobrecarga de trabalho sobre alguns, a passividade de outros, o medo ou receio de delegar de outros, a desconfiança e muitas outras desculpas servem para explicar, mas nunca para justificar a não adoção do trabalho em grupo como metodologia.
É muito fácil nesse tipo de trabalho encontrar erros nos outros, desrespeitando as características pessoais e a individualidade das pessoas. Deve-se reconhecer que as pessoas são diferentes e em qualquer relação precisam ser respeitadas na busca de suas virtudes. Só assim, trabalhando com transparência, respeito e ética pode-se fazer da relação de grupo a solução para o comprometimento tão necessário a realização de tarefas cada vez mais íntegras e que satisfaçam a todos. Dessa forma a avaliação é distribuída na coletividade e o trabalho passa a não ser mais meu ou seu, mas nosso.
O trabalho em grupo ao mesmo tempo em que pode causar grandes conflitos, principalmente no início, aos poucos deve trazer muita satisfação. A confiança, a construção da identidade e a consciência das possibilidades que ele pode nos trazer, fazem do trabalho em grupo a metodologia ideal para que as pessoas sejam respeitadas em suas individualidades e o grupo cresça com objetivos claros autênticos e íntegros. O conhecimento da identidade do grupo trás com ele a autonomia tão necessária para que a agilidade possa prevalecer, porém nunca deixando de lado a qualidade tão almejada por todos. A consciência coletiva passa a imperar e problemas individuais são superados com maior tranqüilidade já que a cumplicidade passa a existir. Assim as metas tornam-se mais próximas e as palavras saem de um sonho idealizado ou utópico, para as diversas ações que o grupo passa a realizar. Cooperar é preciso, provocar a cooperação também!

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