quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ponto de Vista

Ponto de vista

Nossa visão pode nos enganar
Quando olhamos com as lentes do interesse pessoal
Mas usando filtros que nos livrem do preconceito e do juízo de valor
Podemos nos aproximar muito mais da verdade
Se é que ela existe

Porém um exercício mais interessante está na observação coletiva
Que permitirá a troca de olhares e o reconhecimento de outras opiniões
Além disso, e complementando
Podemos fazer uma observação mais consistente
Por que não se imaginar na posição do outro
Reconhecendo fundamentalmente
“Que você é o outro do outro”.

Sonho e Realidade

Sonho e Realidade

Uma coisa curiosa é o sonho
Tanto aquele que acorre quando dormimos
Atrelado aos mistérios da mente
Quanto aqueles que temos acordados
Como algo que queremos muito

Do sonho ao pesadelo é um passo
Tanto dormindo, quanto acordados
O risco é muito grande
E quando se sentem em situação de perigo acordam
Ufa! Foi apenas um pesadelo

Já dos pesadelos que temos acordados é mais difícil de fugir
Tentamos acordar, ou até dormir para esquecer
Mas eles nos acompanham
Existem algumas formas de fuga
Mas o pesadelo volta

Muitos dizem que não sonham
Deve faltar tempo até dormindo
Outros não sonham nem acordados
A vida os atropela
O pessimismo os derrota

Porém muitas coisas acontecem
E as pessoas, vencendo o pessimismo
Podem perceber muitos sonhos já realizados
Problemas superados
Assim o otimismo pode vencer

Grande parte das pessoas são como São Tomé
É cômodo entrar depois da fase difícil ser superada
Porém o que seria das coisas se ninguém as começasse
Alguém teve que sonhar para poder ver
E nesse momento, do sonho realizado a alegria é tanta
Que como diz um ditado chinês:
“Se eu estiver dormindo, não me acorde. Se eu estiver acordado não me deixe dormir”.

Mudanças

Mudanças
Bem vistas e mal vistas
Podem incomodar
Tirar da inércia
Romper a passividade
Mudança tem que ter motivo
Justificativa
De cima para baixo pode não ter efeito
Justa e necessária quando tem significado

Há quem olhe paras as mudanças com maus olhos
Há quem diga que a rotina é necessária para agilizar os trabalhos
E que as mudanças só trazem instabilidade e conflitos
Dizendo que precisamos fazer o que já está planejado
E não buscar novas alternativas para os mesmos problemas

Mudar para que!?
Mudamos as pessoas, mas não as rotinas!?
Os incomodados que se mudem!?
Sempre fizemos desse jeito!?
Você pensa que vai mudar o mundo!?
O mundo é assim!?

Afirmações ou perguntas?
Perguntas ou afirmações?
Muitas dessas frases são ouvidas no dia a dia
E muitas resistências são enfrentadas
Muitos estão contentes como estão
É claro que devem estar bem
Levando vantagem
Mas podem estar passivos, alienados e descomprometidos
Mudanças incomodam
Quem vai ganhar e quem vai perder
Quem também leva vantagem com a mudança
Vantagem pessoal ou coletiva?

O homem é um ser transformador
Transformou o mundo
Para o bem ou para o mal
Por vezes não previu conseqüências
Agiu por interesse
Buscou facilidades e não previu prejuízos
Ou se viu, não ligou
Mudanças agora são necessárias
Para sanar problemas e prejuízos
Na sua maioria causadas por mudanças impensadas
“Os incomodados que mudem... o mundo”.

Fazer

Fazer

O importante é fazer?
Fazer, fazer, fazer...
Fazer sem pensar

Mas, espere um pouco:
Fazer o que?
Fazer sem saber o que?
Fazer sem saber para que?

Não!
Basta de fazer sem conhecer
Sem compreender
Sem sentir
Sem reconhecer a importância desse fazer
Só assim poderei fazer bem feito

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

No circular

No circular, todos juntos vão para o mesmo lugar
Mas...
Uns vão trabalhar
Outros vão estudar
Alguns poucos vão descansar
Enquanto outros vão passear

Uns conversam
Outros se calam
Poucos clamam
Alguns reclamam
Uns trocam olhares
Outros olham, mas nem sempre são correspondidos
Outros se esbarram por querer, ou sem querer?
- Desculpe...
- Ai meu pé!
- Não tem troco!
- Espera um pouco!
- Mas eu já vou descer!
- Está lotado! Como é que eu faço?
- Um passinho para trás!
Os carros passam correndo
Os ônibus passam parando
Sobe gente
Desce gente
E eu vou ficando
Finalmente chegamos no ponto final
Mas, se é circular, como pode ter ponto final?

Fizemos o curso e estamos em curso

Foram muitos dias onde todos ensinaram e aprenderam
Pensaram, falaram, planejaram, escreveram e agiram
Mais do que saber o que é certo, procuramos saber o que era errado
Mais do que procurar respostas, aprendemos a fazer as perguntas
Além de nos perguntar o que pensamos sobre isso, ou aquilo
Quisemos saber o que os outros pensam disso ou daquilo
Fizemos coisas que nunca havíamos feito
Cantamos, dançamos e até representamos
Muitos envergonhados, outros desavergonhados
Uns quietos e outros falantes
Podemos dizer que alguns tinham medo de falar em público
Uns graduados ou doutores e outros com a mínima formação básica
Alguns que nem ouviram falar de determinados assuntos
Outros que sabiam de muita coisa, mas viram de outra forma
Uns que sabiam mas não faziam
Outros que faziam mas não sabiam
Na riqueza das diferenças houve a combinação
Da aspereza com a delicadeza
Da voz forte com a meiga
Da pergunta com as respostas
Aprendemos muito e descobrimos que temos muito mais a prender
Abrimos nossos olhos, ou até fechamos para ver melhor
Ouvimos a mensagem por detrás da música
Assim estamos superando a alienação
Começamos a compreender o todo
Alguns nem dormiam direito quando voltavam para casa
Outros sonhavam com as possibilidades
Ficamos incomodados, mas era um incomodo gostoso
Um desencanto encantador
Pois da necessidade surgem as soluções
Nos conhecemos, nos reconhecemos e nos divertimos
Vamos sentir saudades
Mas todos levam uma lembrança, uma lição de cada um
Pois aprendemos fazendo ou deixando de fazer
Podemos continuar nesse caminho
Quem continuar com certeza se encontrará novamente
Cruzaremos o mesmo caminho, ou percorreremos juntos
Sabemos que mudar instantaneamente é impossível
Pois temos que respeitar o momento e a opinião de cada um
Mas no fundo, quem quiser o bem coletivo prevalecerá
A vida se transformará ao nosso redor
Na família, na instituição, nas nossas relações
O mundo virará de pernas pro ar
Buscando uma nova forma de trabalhar, de viver
De ser feliz!
Marcos Noggerini/ outono de 2003

O que são as pessoas

Para os médicos pacientes
Para os lojistas clientes
Para os artistas público
Para os escritores leitores

Para os animais monstros
Para as galinhas ladrões de ovos
Para as vacas ladrões de leite
Para os frangos assassinos

Para os políticos votos
Para os economistas números
Para as emissoras audiência
Para a polícia suspeitos

Para os seres realmente humanos
Pessoas
Que merecem respeito
Que tem capacidade
Que tem escolha
E que pouco devem se importam com o que acham dela
Marcos Noggerini